/Oh Lord! O Porsche 356 psicodélico de Janis Joplin

14/10/2015

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Janis Lyn Joplin foi dona de uma das vozes mais marcantes do rock, do blues e da soul music dos anos 60, disso não há dúvida. E você provavelmente conhece uma de suas músicas mais famosas, Mercedes Benz (assim, sem hífen mesmo), cantada quase a capella por Janis, e gravada no dia 1 de outubro de 1970 — apenas três dias antes de sua morte, aos 27 anos, em 4 de outubro de 1970.

Janis era conhecida por ser multi-instrumentista, poeta, pintora e artista em geral. Naturalmente, ela tinha amigos que também estavam envolvidos na música, na poesia e nas artes. Mercedes Benz, por exemplo, foi escrita por ela junto com seus amigos Michael McClure e Bob Neuwirth. O primeiro era um dos últimos poetas remanescentes do movimento Beat, do qual também faziam parte nomes como Allen Ginsberg, Herman Hesse e Jack Kerouac. O segundo era um amigo próximo de Janis, e também era compositor.

Em um encontro inesperado com Neuwirth em um bar de Nova York, no dia 8 de agosto de 1970, Janis começou a improvisar algumas poesias com ele. Inspirados por uma canção de McClure — cujas primeiras linhas diziam “Come on, God, and buy me a Mercedes Benz” —, Neuwirth e Joplin continuaram a letra. A coisa fluiu (certamente inspirada por algumas substâncias ilícitas populares no círculo de amigos de Janis) e naquela mesma noite, a estava pronta para ser gravada. E foi, naquele 1 de outubro de 1970 — em um único take.

Apesar de pedir que Deus lhe comprasse um Mercedes-Benz, uma TV a cores e uma noite na cidade, a canção Mercedes Benz é considerada uma manifestação anti-consumismo, criticando a futilidade de alguém que quer um carro bacana só porque seus amigos também têm, ou uma TV a cores só porque a mídia quer que você assista TV. O que é até meio irônico, porque Janis Joplin tinha um carro bacana. Mais irônico ainda: era um Porsche 356.

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Não é difícil entender. Apesar da imagem e da atitude “riponga”, Janis era uma estrela do rock. Na verdade, a “Rainha do Rock, do Soul e do Blues” — título conquistado logo depois de suas primeiras performances ao vivo, descritas como “eletrizantes” e “comoventes”, graças a sua presença de palco e sua voz rouca e carregada de emoção. Honestamente, se você quiser mesmo ouvir Janis em sua essência, não ouça Mercedes Benz. Ouça isso aqui:

 

Janis foi uma verdadeira rockstar nos últimos três anos de sua vida. Apesar de estar envolvida com música desde que deixou a escola, em 1960, foi só depois do Monterey Pop Festival, evento de rock e folk music que foi realizado na Califórnia entre 16 e 18 de julho de 1967, que ela ficou realmente conhecida. Depois disso, ela e sua banda — a Big Brother and the Holding Company — foram chamados para tocar em festivais ainda maiores, como o Woodstock original, de 1969.

Ela fez a vida com sua música e, quando não estava tocando, estava compondo, desenhando, pintando ou escrevendo — quase sempre sob influência de alguma substância entorpecente, o que era muito comum na época. Alguns, como Keith Richards, sobreviveram a este estilo de vida alucinante. Outros não tiveram tanta sorte. Janis teve sua carreira e sua vida abreviadas aos 27 anos — a idade maldita do rock and roll, como se costuma dizer.

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Mas vamos voltar ao carro dela. O Porsche 365 1600 foi fabricado em 1965 e comprado por Janis em 1968, por US$ 3.500 — o equivalente a US$ 24 mil em valores atualizados (R$ 92.000). Era bastante dinheiro na época, e a compra só foi possível graças ao sucesso do álbum Cheap Thrills, lançado em agosto de 1968.

Só que ela não gostou muito da cor branca do carro, e imediatamente pediu ajuda ao amigo David Richards, que também era artista, pintor e roadie da Big Brother and the Holding Company.

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A carroceria colorida do carro se tornou uma verdadeira viagem de ácido. Richards e Joplin decidiram retratar, no carro, a “História do Universo”, e o descreviam como “uma tartaruga carregando toda a criação em suas costas” — possivelmente em referência ao mito hindu que diz que o mundo é carregado por elefantes, que ficam nas costas de uma tartaruga. É possível ver nuvens, paisagens, retratos surrealistas e outros elementos psicodélicos em uma profusão de cores. É o tipo de coisa que não se descreve com palavras.

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Janis era vista frequentemente com seu Porsche, e há algumas fotos dela com o carro, que lhe era muito querido. Pensando bem, ela não precisava de um Mercedes-Benz…

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O 356 foi roubado em 1969. O ladrão sabia que não era uma boa ideia rodar por aí em um carro tão peculiar e, por isso, passou uma camada de tinta cinza por cima do mural. Quando foi reencontrado, o carro teve a pintura psicodélica recuperada e continuou com Janis até sua morte — o carro foi encontrado no estacionamento do hotel onde a cantora foi encontrada morta em Hollywood.

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Depois disso, o carro ficou sob os cuidados do ex-empresário de Janis, Albert Grossman, antes de ser devolvido à família dela em 1973. Desde então, ele passou por algumas restaurações, o Porsche foi emprestado para o museu Rock and Roll Hall of Fame em 1995.

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(Fonte: Flatout)

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