/O que o Corvette e as missões espaciais têm em comum? Os astronautas!

28/09/2015

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É bem difícil encontrar alguém que encha o peito e diga, em alto e bom som: “não gosto do Corvette”. De fato, com um V8 na dianteira, carroceria de fibra de vidro, tração traseira e, quase sempre, um belo visual, o bom e velho Corvette é um verdadeiro clássico americano e, como tal, coleciona milhões de admiradores — alguns bem especiais, como vários astronautas americanos. Os homens que iam para o espaço nos anos 60 e 70 adoravam acelerar o Corvette quando não estavam acelerando foguetes. Mas de onde veio esta relação aparentemente sem sentido?

Como você talvez já saiba, o Corvette foi lançado no fim de 1953 e, mesmo quando ainda era equipado apenas com o seis-em-linha de 3,9 litros e 136 cv conhecido como Blue Flame, que não era exatamente um motor empolgante, seu visual garantiu que ele caísse no gosto dos fãs de esportivos. A partir de 1955, um V8 small block de 4,3 litros começou a ser oferecido como o opcional, e em 1957 a Chevrolet já oferecia até injeção mecânica de combustível. Foi quando um astronauta chamado Alan Shepard comprou o seu Corvette.

Bill Mitchell (chefe do departamento de design da Chevrolet), Alan Shepard e Ed Cole (presidente da Chevrolet)

 

Alan Shepard foi o segundo ser humano (e o primeiro americano) a ser lançado para o espaço a bordo da espaçonave Freedom 7, na bem sucedida conclusão do Projeto Mercury no dia 5 de maio de 1961. O cosmonauta Yuri Gagarin já havia viajado até o espaço no dia 12 de abril a bordo do Vostok 1, e o voo de Shepard foi um passo importantíssimo para os americanos na chamada Corrida Espacial, disputa entre americanos e russos que durou de 1955 a 1972.

Quando o treinamento espacial para Shepard e seus seis companheiros (um deles seria o escolhido para a missão) começou em 1959, Shepard apareceu ao volante de seu Corvette. Talvez por isso a General Motors tenha dado a ele as chaves para um Corvette 1962 novinho em folha ao retornar à Terra. As fotos acima e abaixo, publicadas na revista Corvette News, foram feitas na ocasião da entrega do Vette pelo então presidente da GM Ed Cole. Foi ali que começou a curiosa relação os astronautas e o Corvette.

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O programa espacial continuava, e não demorou para que outros astronautas recém chegados também adquirissem seus Corvette. Dá para entender: ao longo da década de 60, enquanto os EUA estavam a todo vapor com o projeto Apollo 11, o Corvette se tornava um carro cada vez mais rápido e atraente — primeiro, com a clássica geração C2 em 1963 e, depois, com o C3 em 1968. Mas também havia outra razão, bastante conveniente.

 

Os mais ligados na história do automobilismo americano vão lembrar do nome de Jim Rathmann, que em 1960 foi o vencedor da Indy 500. Pouco antes de se aposentar como piloto, em 1963, ele abriu uma concessionária General Motors em Melbourne, Flórida, nos arredores do Kennedy Space Center, no Cabo Canaveral. Aproveitando que o programa espacial americano estava a todo vapor, Rathmann decidiu oferecer condições especiais para os astronautas que quisessem comprar um Corvette.

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Deu certo, e seis dos sete astronautas do Projeto Mercury resolveram aproveitar as facilidades para comprar seus exemplares. Primeiro foram Alan Bean, Dick Gordon e Charles Conrad, os tripulantes da Apollo 12, que pousou na Lua em 19 de novembro de 1969. Ao voltar para casa, os três compraram exemplares idênticos do Corvette, equipados com motores V8 427 de 395 cv e pintados de dourado e preto, em um esquema desenhado pelo próprio Bean. Os carros foram usados em algumas fotos promocionais que ficaram bem famosas — como a imagem autografada abaixo, com os três vestidos em trajes espaciais ao lado de seus Corvette, ou a foto de abertura deste post.

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Em 1971 foi a vez de David Scott, Alfred Worden e James Irwin, os tripulantes da Apollo 15. Para comemorar o voo da espaçonave, os três encomendaram carros pintados nas cores da bandeira dos EUA (vermelho, branco e azul), e apareceram na capa da revista Life em junho daquele ano, posando junto com o Lunar Roving Vehicle, o LRV, usado na missão.

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Além deles, os tripulantes da Apollo 11 (a primeira a pousar na Lua, em julho de 1969) Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, também encomendaram seus Corvette.

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Armstrong, o primeiro a colocar os pés na Lua em um grande passo para a humanidade, comprou um Sting Ray 1967 azul, também equipado com o V8 427 de 395 cv. O astronauta dirigiu o carro por um ano antes de devolvê-lo à concessionária. Logo depois, foi comprado por um funcionário da loja, que o vendeu em 1981. O carro permaneceu abandonado em uma garagem até 2012, quando seu dono (depois de tentar vender o Corvette no eBay, sem sucesso), decidiu restaurá-lo completamente.

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A Corrida Espacial terminou em abril de 1972, quando os governos russo e americano entraram em um acordo que resultou em uma missão conjunta em 1975. Contudo, a relação do Corvette com o espaço sideral continuou: em 2009, o filme Star Trek, de J.J. Abrams, foi lançado — e a cena de abertura traz o Capitão Kirk ao volante de um Corvette 1965 no ano 2245.

Além disso, em 2011 a General Motors organizou um desfile com 30 Corvette de todas as gerações, levando a bordo os astronautas veteranos, para celebrar os 50 anos do voo de Alan Shepard.

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